Espírito Santo lança plano de recuperação da vegetação nativa e amplia ações no Rio Doce
O Governo do Espírito Santo lançou, no último dia 30 de março, em Linhares, o Plano Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa (PERVN Capixaba), iniciativa estratégica voltada à restauração ambiental e ao desenvolvimento sustentável. A cerimônia foi realizada no auditório da UAB/Faceli e reuniu representantes de órgãos estaduais e instituições parceiras.
Promovido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e pela Secretaria de Recuperação do Rio Doce, o evento contou ainda com a participação da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) e da WWF Brasil.
O PERVN Capixaba foi apresentado como um instrumento orientador das políticas públicas e privadas de recuperação ambiental no Estado. Alinhado ao Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), o documento estabelece diretrizes, metas e mecanismos de governança com foco na construção de paisagens mais resilientes, produtivas e sustentáveis.
Durante a cerimônia, também foi lançado o edital para contratação da gerenciadora técnica do Programa Reflorestar Doce, desenvolvido em parceria entre a Seama e a Secretaria de Recuperação do Rio Doce. A iniciativa concentra esforços na conservação e restauração florestal em áreas estratégicas da bacia do Rio Doce, no litoral norte capixaba e no município de Anchieta.
As ações integram o conjunto de medidas de reparação ambiental relacionadas ao rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em Mariana, considerado um dos maiores desastres ambientais do país. Os recursos são oriundos de acordo judicial firmado para garantir a recuperação integral dos danos.
A expectativa inicial foi restaurar mais de 6,8 mil hectares nos cinco primeiros anos, beneficiando cerca de 4.200 propriedades rurais, com investimento superior a R$ 334 milhões. Em um horizonte de 20 anos, a meta foi ampliada para mais de 22 mil hectares de áreas restauradas, atendendo mais de 13.500 propriedades rurais, com aporte superior a R$ 1,2 bilhão.
O secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Felipe Rigoni, destacou que a iniciativa representou um avanço nas políticas ambientais. Segundo ele, o programa ampliou a capacidade do Estado de promover uma recuperação efetiva, aliando preservação ambiental, produção sustentável e geração de renda no campo.
Já o secretário de Recuperação do Rio Doce, Guerino Balestrassi, ressaltou o papel estratégico das ações ambientais no processo de reconstrução das áreas atingidas. Ele afirmou que, além das obras de infraestrutura e saneamento, a recuperação ambiental é fundamental para garantir a revitalização da bacia e o desenvolvimento sustentável das comunidades impactadas.
Base do programa, o Reflorestar é reconhecido nacionalmente como referência em Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), oferecendo apoio técnico e financeiro a produtores rurais para conservação da cobertura florestal e adoção de práticas sustentáveis, como sistemas agroflorestais.