Na América Latina, o Brasil é o país com maior prevalência de depressão, além de ser o segundo país com maior prevalência nas Américas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram com esse transtorno, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A OPAS/OMS aponta ainda a importância da genética em algumas formas de depressão, apesar de indivíduos sem histórico familiar também apresentarem o transtorno. A gravidade, frequência e duração variam de acordo com cada pessoa e suas condições psíquicas.
A depressão é um transtorno mental associado a sentimentos de incapacidade, irritabilidade, pessimismo, isolamento social, perda de prazer, cansaço, déficit cognitivo (memória e raciocínio ficam prejudicados), baixa autoestima e tristeza, que interferem na vida diária. Ela afeta as capacidades de trabalhar, dormir, estudar, comer, socializar, entre outros. Esse transtorno é caracterizado por sentimentos negativos e que persistem por pelo menos duas semanas, causando prejuízos.
O psiquiatra da Rede Meridional, José Luis Leal, aponta que há um crescente aumento do estresse e, quando exagerado e descontrolado, aumenta o risco de desenvolvimento de doenças mentais. Dentre essas doenças, os transtornos ansiosos e depressivos se destacam por ser os mais incidentes na população geral. “Vivemos uma pandemia de transtornos depressivos e ansiosos”, comenta o médico.
Segundo dados do INSS ligado ao Ministério da Previdência Social, em 2024, transtornos de ansiedade e episódios depressivos foram os principais motivos de afastamento do trabalho no país, com os afastamentos por ansiedade aumentando significativamente em uma década.
Além do sofrimento com a depressão, o doente ainda enfrenta o preconceito. “Percebe-se, historicamente, a prevalência de uma visão estigmatizada das pessoas com transtornos mentais, levando a uma exclusão social desses indivíduos, fazendo-os viver à margem da sociedade dita ‘normal’, observa José Luis Leal.
“O tratamento é realizado com uso de medicamentos, atividade física e psicoterapia, em casos graves, pode haver indicação para a psiquiátrica se o paciente tiver correndo risco importante. Em muitos casos os pacientes internados poderiam ser acompanhados ambulatorialmente por profissionais capacitados e serviços estruturados ao desenvolvimento da saúde mental, poupando assim gastos desnecessários com internações, auxiliando aos pacientes ao restabelecimento de funcionamento global satisfatório, visando sempre sua segurança, e restabelecimento com o mais breve retorno para suas atividades laborais, convívio social e autocuidado”, avalia o psiquiatra.
Janeiro Branco
Janeiro Branco é uma campanha criada por psicólogos de Uberlândia, Minas Gerais, no ano de 2014. O tema para a campanha deste ano é A VIDA PEDE EQUILÍBRIO! O mês de janeiro foi escolhido porque é o momento em que as pessoas estão focadas em resoluções e metas para o novo ano.
A ideia do Janeiro Branco é fomentar a reflexão de como gerar mais equilíbrio em nossa vida, desenvolver o autoconhecimento a fim de buscar equilíbrio emocional e comportamental, ter uma vida profissional equilibrada, uma alimentação saudável, fazer atividade física regular, ter vida social e controlar o estresse.
Fatores como condição político financeira, falta de acesso a tratamentos adequados, porque falta de políticas públicas que visem a desistigmatização da depressão, a detecção e o tratamento precoce, impedem que o brasileiro tenha uma boa saúde mental.
“Infelizmente o Brasil não vem seguindo uma tendência global de investir em políticas públicas para tratamento das doenças mentais, inclusive por isso somos uns dos poucos países que vem aumentando não só a incidência das doenças, mas também de suas consequências mais temidas que são a invalidez e o suicídio”, alerta o psiquiatra José Luis Leal.