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INSS reajusta benefícios acima do mínimo em 3,9%

Reajuste de benefícios do INSS para quem recebe acima do salário mínimo é de 3,9% em 2026

Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem valores acima de um salário mínimo passaram a contar, a partir deste ano, com um reajuste de 3,9% nos benefícios. O índice foi definido com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e oficializado por meio de portaria interministerial.

O percentual é inferior ao reajuste aplicado ao salário mínimo, que foi de 6,79%, e, segundo especialistas, não acompanha integralmente a inflação acumulada ao longo de 2025. O aumento de 3,9% vale para benefícios como aposentadorias, pensões e auxílios pagos acima do piso nacional.

A advogada e especialista em Previdência Social, o reajuste integral de 3,9% será aplicado aos segurados que já recebiam o benefício até fevereiro de 2025. Para quem começou a receber após esse período, o reajuste é proporcional ao tempo de concessão do benefício ao longo do ano.

“Quem passou a receber o benefício em março, junho, outubro ou dezembro de 2025 terá um reajuste menor, calculado de forma proporcional. Já os segurados que recebem até um salário mínimo tiveram o valor corrigido conforme o reajuste nacional do piso”, explica.

Os beneficiários que recebem acima do salário mínimo começam a receber o valor reajustado a partir do dia 2 de fevereiro, referente à competência de janeiro. Já quem recebe o salário mínimo teve o pagamento corrigido a partir do dia 26 de janeiro.

A especialista lembra que segurados que começaram a receber o benefício há menos de 10 anos ainda estão dentro do prazo legal para solicitar a revisão do valor. O pedido pode ser feito diretamente no INSS ou, dependendo do caso, pela via judicial.

“Quem identifica possíveis erros no cálculo ou entende que tem direito a um valor maior pode pedir a revisão. Cada situação precisa ser analisada individualmente”, orienta Mariana.

Segundo a advogada, os benefícios previdenciários são reajustados exclusivamente pelo INPC, índice diferente daquele utilizado para definir o aumento do salário mínimo. Por isso, os reajustes dos benefícios acima do piso costumam ser menores.

“Em 2025, por exemplo, o reajuste foi de 4,77%. Em 2026, caiu para 3,9%, o que acaba impactando diretamente o poder de compra dos aposentados”, ressalta.

Com o aumento do salário mínimo e do teto previdenciário, as contribuições ao INSS também foram atualizadas. A contribuição varia conforme o tipo de segurado — empregado, contribuinte individual, trabalhador avulso ou doméstico — e pode ser de 5%, 11% ou 20%, conforme a categoria.

O novo teto do INSS passou de R$ 8.157,41 para R$ 8.475,55. Quem contribui pelo valor máximo paga até 20% sobre esse teto.

Apesar do reajuste, alcançar o teto do INSS ainda é uma realidade para poucos brasileiros. Segundo a especialista, embora mais de 12 milhões de pessoas recebam acima de um salário mínimo, apenas uma parcela muito pequena chega próximo ao valor máximo.

“Para receber próximo ao teto, é necessário contribuir durante toda a vida laboral sobre valores altos, próximos ou equivalentes ao teto do INSS. Mesmo assim, o cálculo previdenciário faz com que seja muito difícil atingir o valor máximo”, explica.

O tema reacende o debate sobre o impacto do reajuste no orçamento dos aposentados, especialmente diante dos altos custos com saúde, medicamentos e despesas básicas, que tendem a pesar ainda mais no bolso de quem depende exclusivamente do benefício previdenciário.

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