O recente anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas adicionais de 10% sobre produtos brasileiros exige uma análise cuidadosa. Embora o Brasil esteja entre os países com a menor sobretaxa apresentada, a medida protecionista, que entra em vigor no próximo sábado (05), pode afetar, de alguma forma, a competitividade das exportações tanto capixabas quanto brasileiras.
A relação comercial entre o Brasil e os EUA sempre foi pautada pelo diálogo constante, e tanto a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) quanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendem a continuidade desse entendimento. Neste momento, o Observatório Findes, centro de estudos e inteligência de dados da Federação, está analisando os possíveis impactos que essa medida pode ter sobre o setor produtivo capixaba.
Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras e o principal mercado para os produtos capixabas, representando 28,5% de todas as exportações do Estado. Além disso, enquanto o Brasil apresenta uma balança comercial desfavorável aos EUA, o Espírito Santo se beneficia de uma balança positiva, com US$ 3,06 bilhões em exportações contra US$ 2,05 bilhões em importações.
Entre os principais setores do Espírito Santo que exportam para os Estados Unidos e que podem ser mais afetados por essa nova medida estão: o aço (1º lugar na pauta exportadora capixaba), as rochas ornamentais (2º), o papel e celulose (3º), o minério (4º) e o café (5º).
A imposição de tarifas tende a aumentar o custo dos produtos importados pelos consumidores norte-americanos, o que pode reduzir parcialmente a demanda pela indústria e agropecuária capixabas. No entanto, se a indústria dos EUA não for capaz de atender toda a demanda interna, os produtos brasileiros – e, consequentemente, os produtos do Espírito Santo – poderão se tornar mais competitivos em comparação com os de países com tarifas mais elevadas, como a China, a Índia, o Vietnã e a Indonésia.
Em um cenário mais amplo, a Findes destaca que, de acordo com dados de 2024, o aumento de 10% nas tarifas está concentrado apenas em três países: Reino Unido, Singapura e Brasil. Em contrapartida, outros países dentro do grupo dos 20 maiores fornecedores dos EUA sofreram reajustes acima de 24%.
A Findes reafirma que o caminho mais eficaz continua sendo o aprofundamento do diálogo. A Federação acredita que o governo brasileiro deve seguir negociando com o presidente Donald Trump e sua equipe, buscando soluções que atendam aos interesses de ambos os países, especialmente no caso de setores sensíveis como o aço e o alumínio, cujas tarifas anteriores de 25% permanecem inalteradas.
A Findes acredita que encontrar soluções que alinhem os interesses dos dois governos e de seus setores produtivos é essencial para garantir que o Brasil tenha uma agenda de facilitação do comércio e para promover a abertura de novos mercados dentro dos Estados Unidos. A Federação se mantém atenta a novos anúncios e medidas que possam ser implementadas, buscando sempre o melhor para o setor produtivo capixaba e brasileiro.