Mesmo com a tendência de queda nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, o cenário epidemiológico ainda exige atenção. O Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (29), aponta que a principal exceção nesse movimento de redução é a influenza A, responsável pelo aumento de casos de SRAG em alguns estados da região Norte.

Entre as variantes em circulação, a chamada gripe K — uma mutação genética do vírus Influenza A (H3N2) — tem despertado preocupação das autoridades de saúde no Brasil e no exterior. A cepa já foi identificada em amostras nacionais e está presente em mais de 30 países. Embora não haja, até o momento, evidências de que provoque quadros mais graves do que outras variantes da gripe, sua circulação tem sido mais intensa.
Segundo a pneumologista e especialista em Medicina do Sono, Jessica Polese, a gripe K faz parte do processo natural de evolução do vírus influenza. “Não se trata de um vírus novo, mas ele pode se espalhar com mais facilidade em populações com baixa cobertura vacinal”, explica. Para a médica, o momento exige atenção redobrada. “Estamos no verão, com grande fluxo de turistas, e nos aproximamos do Carnaval, período marcado por aglomerações e maior circulação de pessoas”, alerta.
A vacinação segue como principal forma de proteção. De acordo com a especialista, mesmo que a vacina não impeça totalmente a infecção em casos de variações genéticas do vírus, ela é fundamental para reduzir riscos. “A imunização diminui de forma significativa a chance de evolução para quadros graves, hospitalizações e óbitos”, ressalta.
Além da gripe, a circulação do vírus da Covid-19 ainda é uma realidade. Por isso, as medidas de prevenção continuam recomendadas, como a higienização frequente das mãos, o uso de máscara em caso de sintomas respiratórios, evitar ambientes fechados quando estiver gripado e, sempre que possível, permanecer em casa durante o período de infecção.