Gotejamento ganha força no campo como resposta à alta de custos provocada por tensões internacionais
Tecnologia de irrigação surge como aliada de produtores diante do encarecimento de insumos e combustíveis
O avanço das tensões geopolíticas envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã já começa a refletir diretamente no agronegócio brasileiro. A escalada do preço do petróleo no mercado internacional tem pressionado o valor do diesel, impactando o frete e elevando os custos operacionais nas propriedades rurais.
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Ao mesmo tempo, a forte dependência do Brasil de fertilizantes importados amplia os efeitos da instabilidade global. O resultado é uma cadeia produtiva mais onerosa, que afeta desde o preparo do solo até o escoamento da safra.
Diante desse cenário, cresce entre os produtores a busca por soluções que aumentem a eficiência dentro das propriedades. Uma das principais apostas tem sido a irrigação por gotejamento, especialmente quando associada à fertirrigação.
Segundo o engenheiro agrônomo Elídio Torezani, diretor da Hydra Irrigações, o impacto da crise internacional é inevitável, mesmo para quem atua no mercado interno.
“O mercado hoje, mesmo quando doméstico, está totalmente conectado ao cenário internacional. O Brasil depende de insumos externos e o combustível segue as variações do petróleo. Quando há um conflito como esse, há impacto direto no custo de produção”, explica.
Com os custos em alta, tecnologias que permitem maior controle sobre o uso de recursos passam a ocupar papel central no campo. A irrigação por gotejamento se destaca justamente pela precisão na aplicação de água e nutrientes, direcionados diretamente à raiz das plantas.
Esse modelo reduz perdas e melhora o aproveitamento dos fertilizantes — um dos insumos mais afetados pela valorização internacional.
“A fertirrigação permite um nível de eficiência muito superior. O produtor passa a aplicar o nutriente na medida certa, no momento certo, reduzindo desperdícios e aumentando o aproveitamento. Em um cenário de fertilizantes mais caros, isso faz toda a diferença no custo final da lavoura”, detalha Torezani.
Além disso, o sistema contribui para um uso mais racional de água e energia, impactando positivamente toda a operação agrícola.
No campo, os efeitos desse cenário já são realidade. Em Nova Venécia, o cafeicultor Luciano Zanotti relata aumento significativo nos custos desde o início das tensões internacionais.
“Sentimos diretamente no frete, nos adubos e também no combustível utilizado na fazenda”, afirma.
Para enfrentar a pressão, ele tem apostado na eficiência proporcionada pelo sistema de gotejamento, adotado em sua propriedade desde 2020.
“Com a fertirrigação diária, consigo otimizar melhor o consumo de energia, água e fertilizantes, reduzindo o uso desses insumos e, consequentemente, os custos”, destaca.
Especialistas apontam que, diante de um cenário global cada vez mais instável, tecnologias voltadas à eficiência tendem a deixar de ser diferenciais para se tornarem essenciais no agronegócio.
“Em momentos de instabilidade, o produtor precisa ter previsibilidade e controle. Tecnologias como o gotejamento deixam de ser uma alternativa e passam a ser uma ferramenta essencial para proteger a rentabilidade. Quem consegue produzir com mais eficiência atravessa melhor esses períodos de pressão”, conclui Torezani.