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Fundo de Descarbonização posiciona ES como referência na economia verde

Espírito Santo lança Fundo de Descarbonização com R$ 500 milhões para impulsionar economia verde

O Espírito Santo deu um passo decisivo na agenda climática e no desenvolvimento sustentável ao lançar, nesta terça-feira (27), o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo, uma iniciativa pioneira no País que destina inicialmente R$ 500 milhões para financiar projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa e à transição para uma economia de baixo carbono. O lançamento ocorreu em cerimônia no Palácio Anchieta, em Vitória, e contou com a presença de autoridades estaduais, representantes do setor financeiro e especialistas em clima e sustentabilidade.

O Fundo é estruturado a partir de recursos do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), formado com receitas oriundas de royalties do petróleo e gás, e adota o modelo de blended finance, que combina capital público e privado. A gestão ficará sob responsabilidade da BTG Pactual Asset Management, selecionada por meio de chamada pública nacional, e a estrutura jurídica definida é a de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), permitindo segurança jurídica, governança robusta e capacidade de alavancagem de novos aportes. A expectativa é que o Fundo supere R$ 1 bilhão em investimentos nos próximos anos.

Durante o lançamento, o governador Renato Casagrande destacou que o Espírito Santo vem tratando a agenda climática como política pública de longo prazo. “Temos tratado a agenda climática com ações concretas há muitos anos. Implantamos políticas de reflorestamento, controle ambiental por georreferenciamento, incentivo ao uso de energias renováveis e práticas sustentáveis. Agora damos um passo ainda mais decisivo ao criar um fundo que transforma recursos provenientes de combustíveis fósseis em investimentos para financiar a transição energética. É assim que unimos desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e qualidade de vida para as próximas gerações”, afirmou.

O Fundo de Descarbonização está alinhado ao Plano Estadual de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa, publicado em 2023, que estabelece a meta de reduzir em 27% as emissões até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Os recursos serão direcionados a projetos sediados no Espírito Santo que atuem em setores estratégicos, como geração de energia renovável, eficiência energética, eletrificação de cadeias produtivas e logísticas, indústria de baixo carbono, transportes sustentáveis, reflorestamento, restauração ambiental, agricultura regenerativa, biocombustíveis e gestão de resíduos.

Na avaliação do deputado federal Felipe Rigoni, a iniciativa coloca o Espírito Santo na vanguarda nacional da agenda ambiental. “O Fundo de Descarbonização mostra que o Estado saiu do discurso e criou um instrumento financeiro concreto para enfrentar a crise climática. É uma política inteligente, que conecta responsabilidade ambiental, inovação e desenvolvimento econômico, gerando oportunidades e preparando o Espírito Santo para os desafios do futuro”, ressaltou.

Segundo o diretor-presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), Marcelo Saintive, o lançamento consolida o papel da instituição como referência em finanças verdes no Brasil. “O Fundo de Descarbonização é resultado de uma política pública cuidadosamente desenhada para garantir que os investimentos contribuam efetivamente para o cumprimento do pacto de neutralidade de carbono assumido pelo Espírito Santo. Estruturamos uma política de investimentos com princípios, critérios e procedimentos claros, assegurando que cada recurso aplicado gere impacto ambiental positivo, retorno econômico e desenvolvimento social”, explicou.

Saintive destacou ainda que o modelo adotado possui alto potencial de replicação. “As mudanças climáticas exigem instrumentos financeiros à altura do desafio. O Espírito Santo demonstra que é possível liderar esse processo com governança, seriedade e visão de longo prazo, transformando compromissos climáticos em ações concretas”, completou.

Para a diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Maria Netto, a iniciativa capixaba representa um marco no financiamento da descarbonização no País. “Os bancos de desenvolvimento têm um papel estratégico para viabilizar a transição energética. O mecanismo criado pelo Bandes é pioneiro ao direcionar recursos de origem fóssil para acelerar a economia de baixo carbono, combinando mercado de capitais, impacto climático e visão de futuro. É uma experiência que deve inspirar outros estados e instituições públicas”, avaliou.

Responsável pela gestão do Fundo, a BTG Pactual Asset Management ressaltou o compromisso com a seleção criteriosa dos projetos. “Vamos colocar toda a nossa estrutura de originação, análise e gestão a serviço da construção de um portfólio robusto, com projetos sólidos e aderentes às metas de descarbonização do Espírito Santo. Nosso objetivo é conectar empresas com investidores que buscam retorno financeiro consistente aliado a práticas ESG e impacto positivo”, afirmou o sócio da gestora, Sergio Cutolo.

O Fundo será supervisionado pelo Bandes e contará com critérios rigorosos de elegibilidade, exigindo que os projetos estejam em conformidade com normas ambientais, trabalhistas e fiscais, além de apresentarem impacto mensurável na redução das emissões de gases de efeito estufa. Os detalhes sobre critérios de enquadramento, condições operacionais e procedimentos para acesso aos recursos serão divulgados em breve.

no ano de 2025 foi realizada em parceria Bandes e Findes para uma pesquisa sobre descarbonização. A Pesquisa revela que custo e acesso a crédito são principais entraves à descarbonização de empresas capixabas

Pesquisa de descarbonização – 2025 (1)

Pesquisa realizada pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), em parceria com o Observatório Findes, revela que, embora a maioria das empresas capixabas reconheça a importância da descarbonização, o alto custo de implementação e a dificuldade de acesso a financiamento ainda são os principais obstáculos para avançar na transição para uma economia de baixo carbono

Aplicada entre os dias 11 e 29 de novembro de 2024, a sondagem ouviu 200 empresas de 33 municípios do Espírito Santo, majoritariamente dos setores da indústria de transformação e construção, com predominância de empresas de pequeno e médio porte.

Segundo o Bandes, o levantamento oferece uma base concreta para orientar políticas públicas e novos instrumentos financeiros voltados à agenda climática.

“A pesquisa nos permite compreender com mais precisão o estágio de maturidade das empresas capixabas e estruturar soluções financeiras alinhadas à realidade do setor produtivo. Nosso objetivo é apoiar as empresas na transição para uma economia de baixo carbono, tornando o investimento em descarbonização mais acessível e viável”, destaca o banco.

Os dados mostram que 74% das empresas possuem conhecimento básico ou intermediário sobre descarbonização, enquanto apenas 18% afirmam ter conhecimento avançado sobre o tema. Em relação ao interesse, 37% consideram a descarbonização estratégica, com busca ativa por soluções, e 40% demonstram interesse moderado.

Para o Observatório Findes, os resultados indicam um cenário de avanço gradual, mas ainda com desafios estruturais.

“Existe uma clara evolução na percepção das empresas sobre a importância da descarbonização, não apenas como responsabilidade ambiental, mas também como diferencial competitivo. No entanto, os dados mostram que ainda há um longo caminho para ampliar o nível de maturidade e transformar intenção em ação concreta”, avalia a instituição.

O compromisso ambiental aparece como principal motivação, citado por 82% dos respondentes, seguido por decisões estratégicas internas da alta gestão, com foco na redução de custos operacionais.

A pesquisa aponta que apenas 11% das empresas possuem Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) implementado e atualizado, enquanto 53% ainda não possuem, mas demonstram interesse em desenvolvê-lo. Entre as ações já adotadas, eficiência energética lidera, presente em 54% das empresas, seguida por gestão de resíduos e economia circular, com 51%.

Medidas mais complexas, como descarbonização do transporte, inovação em tecnologias verdes e captura e armazenamento de carbono, ainda apresentam baixa adesão.

O levantamento revela que 71% das empresas apontam o alto custo de implementação como principal barreira para investir em descarbonização, enquanto 45% citam a dificuldade de acesso a financiamento. Ainda assim, 56% pretendem investir nos próximos 18 meses, e 16% avaliam essa possibilidade.

Nesse contexto, 72% das empresas afirmam que linhas de crédito acessíveis seriam o principal apoio necessário para viabilizar projetos.

O Governo do Espírito Santo reforça que o estudo contribui diretamente para a agenda estadual de enfrentamento às mudanças climáticas.

“O Espírito Santo tem assumido protagonismo na agenda climática, com iniciativas como o Plano Estadual de Descarbonização. Pesquisas como essa fortalecem a tomada de decisão, aproximam o poder público do setor produtivo e ajudam a construir políticas mais eficientes para uma transição justa e sustentável”, destaca a gestão estadual.

Considerada pioneira, a pesquisa supre uma lacuna de dados sobre descarbonização no setor produtivo capixaba e deve orientar a criação de novos mecanismos de financiamento verde, programas de capacitação técnica e assessoria especializada para as empresas.

 

Luciene Costa Jornalista Portal de Noticias Revista Eklética

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