A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço imposto pelo governo norte-americano representa um alívio para a economia brasileira e, em especial, para o Espírito Santo. A medida suspende tarifas adicionais aplicadas a uma série de produtos exportados aos Estados Unidos, mercado considerado estratégico e difícil de substituir para o setor produtivo capixaba.
Segundo o vice-governador do Espírito Santo e coordenador do Comitê de Enfrentamento das Consequências do Aumento das Tarifas de Importação (CETAX), Ricardo Ferraço, a decisão é “uma ótima notícia para a economia do Estado”, ao restabelecer condições de competitividade para cadeias produtivas relevantes não apenas do ponto de vista econômico, mas também social.
“O Espírito Santo tem setores que geram milhares de empregos e renda, garantindo estabilidade às famílias e arrecadação ao Estado, o que se reflete em investimentos nos municípios”, destacou. Entre os produtos mais beneficiados estão cafés — incluindo o solúvel e o arábica —, mármore e granito, pescados, gengibre e macadâmia, todos com forte aceitação no mercado norte-americano.
De acordo com Ferraço, o próprio aumento de custos e a pressão inflacionária nos Estados Unidos levaram setores americanos a questionarem judicialmente a medida, que acabou sendo considerada ilegal. Os juízes entenderam que a legislação utilizada não conferia ao então presidente Donald Trump poder para impor tarifas de forma unilateral.
Acompanhamento e cautela
Desde o anúncio do tarifaço, o governo capixaba vinha acompanhando os desdobramentos, dialogando com o setor produtivo, adotando medidas de mitigação de impactos e buscando alternativas de mercado. O objetivo central, segundo o vice-governador, sempre foi a manutenção dos empregos.
Apesar da decisão favorável, nem todos os produtos estão totalmente livres de tarifas. Itens como aço e alumínio permanecem taxados, pois se baseiam em outras legislações norte-americanas. Ainda assim, setores que antes enfrentavam sobretaxas de até 40% — como café solúvel, pescados, ovos e parte do setor de rochas — tendem a ser os grandes beneficiados, agora com maior igualdade de competição frente a países concorrentes.
Dados do comércio exterior indicam que, em 2025, houve retração de cerca de 4,5% nas exportações capixabas, reflexo direto das barreiras impostas. Com a retirada das tarifas extras, a expectativa é de retomada gradual das vendas, especialmente no segmento cafeeiro, no qual os Estados Unidos figuram entre os principais compradores.
Novo cenário internacional
Mesmo com a derrubada do tarifaço, o governo norte-americano sinalizou que pode recorrer a outros fundamentos legais para impor tarifas globais. Atualmente, foi anunciada uma tarifa-base de 15% para todos os países, o que, na avaliação de analistas, cria um cenário menos desfavorável ao Brasil, que antes chegou a enfrentar taxas próximas de 50%.
Um levantamento publicado pelo Financial Times aponta Brasil e China entre os países relativamente mais beneficiados com a uniformização das tarifas, já que passam a competir em condições semelhantes às de outros exportadores.
Ferraço ressalta, porém, que o momento exige prudência. “Ainda há muitos desdobramentos pela frente. Precisamos continuar buscando novos mercados, reduzir custos e não depender exclusivamente do mercado norte-americano”, afirmou.
O vice-governador também destacou a melhora no diálogo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos nos últimos meses, após encontros internacionais envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, esse canal aberto pode reduzir riscos futuros e ampliar o espaço de negociação.