Economia

Crédito imobiliário retoma protagonismo e anima o mercado em 2026

Movimento de queda dos juros e ajustes no financiamento habitacional criam ambiente mais favorável para compra de imóveis e estimulam o consumo residencial

O mercado imobiliário inicia 2026 com sinais de retomada do crédito como elemento central para destravar novas compras e dar fôlego ao consumo residencial. Após um período marcado por juros elevados e maior cautela dos compradores, a expectativa de redução gradual da taxa básica de juros e a reorganização das fontes de financiamento voltam a abrir espaço para decisões de médio e longo prazo ligadas à casa própria. Dados oficiais indicam que a trajetória de queda dos juros tende a reduzir o custo dos financiamentos, ampliando o acesso ao crédito e melhorando a capacidade de planejamento financeiro das famílias.

Para Ricardo Gava, diretor da Gava Crédito Imobiliário e da Ademi Secovi ES, o cenário representa uma mudança importante no ciclo do setor. O crédito deixa de ser um entrave e passa novamente a atuar como indutor das transações. “A previsibilidade nas condições de financiamento tem peso decisivo na retomada da confiança dos compradores. Quando o cliente consegue enxergar com mais clareza o custo do financiamento ao longo do tempo, a decisão de compra deixa de ser adiada indefinidamente e passa a fazer parte do planejamento familiar”, afirma.

Gava observa que a retomada do crédito tende a ter impacto direto sobre a demanda reprimida, especialmente entre clientes que aguardavam condições mais equilibradas para fechar negócio. Ele explica que muitos projetos de compra ficaram suspensos nos últimos anos e começam a ser reavaliados com a melhora do ambiente econômico. “Existe um contingente significativo de clientes que não desistiu do imóvel, apenas aguardou um momento mais seguro para assumir esse compromisso. O crédito mais acessível cria essa janela”, comenta.

Além de impulsionar a aquisição de imóveis, o movimento deve refletir em outros segmentos ligados ao consumo residencial. A liberação de crédito favorece investimentos posteriores, como reformas, mobiliário e equipamentos domésticos, ampliando o efeito econômico da retomada. Segundo Ricardo Gava, esse encadeamento é natural. “A compra do imóvel costuma ser acompanhada de novos gastos relacionados à moradia. Quando o crédito volta a fluir, ele movimenta não só o setor imobiliário, mas toda uma cadeia que gira em torno da casa”, pontua.

Com esse novo contexto, o crédito imobiliário volta a ocupar posição estratégica no mercado em 2026, contribuindo para um cenário mais dinâmico e previsível. A combinação entre política monetária mais favorável e ajustes no sistema de financiamento cria condições para que o setor avance de forma gradual, atendendo clientes que buscam segurança e planejamento na realização do sonho do imóvel próprio.

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