Reacendendo debate sobre saneamento na Serra
As recentes alterações na qualidade da água das praias da Serra reacenderam o debate sobre saneamento básico, transparência das informações e os desafios enfrentados por um dos municípios que mais crescem no Espírito Santo. De acordo com os últimos dados de monitoramento, parte dos pontos analisados no litoral apresentou restrições temporárias para banho, situação que gerou dúvidas e reclamações de moradores e turistas.
O secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano da Serra, Cláudio Denicoli, explicou que o cenário está diretamente ligado às fortes chuvas registradas nos últimos dias. Segundo ele, o grande volume de água provoca o carreamento de resíduos urbanos — como lixo acumulado em vias públicas e terrenos baldios — para o mar, comprometendo momentaneamente a balneabilidade. “Esse é um fenômeno comum em cidades litorâneas. Não se trata, necessariamente, de esgoto sendo lançado diretamente no mar, mas de um impacto pontual causado pelas chuvas intensas”, destacou.
Denicoli ressaltou que, em períodos de estabilidade climática, a situação costuma se normalizar rapidamente. Ele lembrou que, no mês de dezembro, a maioria das praias do município esteve própria para banho, o que demonstra que os episódios recentes não refletem um problema permanente.
Em relação ao sistema de esgotamento sanitário, o secretário reconheceu que a Serra ainda convive com desafios históricos. O município possui hoje mais de 90% de cobertura de rede coletora de esgoto, mas enfrenta limitações na etapa de tratamento. “Temos estações antigas, implantadas há décadas. Já estamos discutindo a modernização desse sistema, com a concentração em menos unidades, porém mais eficientes, o que vai trazer ganhos ambientais e de saúde pública”, afirmou.
Outro ponto abordado foi a cobrança da taxa de esgoto. De acordo com Denicoli, os recursos arrecadados são direcionados para a ampliação e melhoria do sistema, em articulação com a concessionária responsável e sob fiscalização do poder público. Ele destacou que a prefeitura mantém reuniões periódicas com o Governo do Estado e os operadores do serviço para acelerar investimentos e reduzir falhas.
A falta de placas informativas nas praias também foi alvo de críticas. O secretário explicou que a sinalização física enfrenta problemas recorrentes de depredação e furto, o que dificulta sua permanência. Como alternativa, a prefeitura pretende reforçar a divulgação digital das informações de balneabilidade. “A orientação é que a população consulte os canais oficiais do município, onde os dados são atualizados periodicamente”, disse.
Com cerca de 23 quilômetros de litoral, a Serra segue sendo um dos destinos mais procurados do Espírito Santo. Mesmo em semanas com restrições em alguns pontos, há trechos considerados adequados para banho. A administração municipal reforça que trabalha para ampliar a transparência, melhorar o saneamento e garantir que moradores e visitantes possam usufruir das praias com mais segurança e informação.