Apesar de representarem apenas cerca de 33,3% das pessoas pesquisadoras no mundo e 35% dos estudantes das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), segundo dados da Unesco, as mulheres vêm ampliando sua presença e impacto na ciência, na inovação e no empreendedorismo. Mais do que números, o avanço passa por soluções práticas que envolvem qualificação técnica, fortalecimento de redes de apoio e maior inserção feminina em ambientes estratégicos de inovação.
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A importância do tema levou à criação do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro desde 2015. A data busca manter o debate ativo e reforçar o compromisso global com a igualdade de direitos, especialmente no campo educacional. Para a gestora de startups do Sebrae/ES, Isabella Calmon, romper barreiras culturais ainda é um dos principais desafios. “Muitas meninas deixam de seguir essas carreiras por falta de incentivo, ausência de referências femininas e medo de não pertencer a esses espaços. Isso pode ser transformado com informação, visibilidade e oportunidades reais de desenvolvimento”, afirma.
O acesso a capacitações específicas tem sido um motor decisivo dessa transformação. Trilhas exclusivas de qualificação, programas de aceleração, mentorias e iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino contribuem para reduzir a distância entre talento e oportunidade. Entre as ações, destacam-se o Sebrae Delas, que estimula o protagonismo feminino nos negócios, e o Catalisa ICT, voltado a pesquisadoras interessadas em transformar conhecimento científico em soluções inovadoras.
Dados do Sebrae nacional mostram que 43% das lideranças em tecnologias disruptivas baseadas em avanços científicos que passaram pelo Catalisa ICT são mulheres — percentual significativamente superior à média de mercado, estimada em cerca de 16%, segundo a Associação Brasileira de Startups.
Outra iniciativa de destaque é o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, que, na categoria Ciência e Tecnologia, reconhece mulheres à frente de projetos de impacto. No Espírito Santo, o edital “Mulheres na Ciência”, da Fapes, também estimula pesquisas lideradas por mulheres, ampliando a presença feminina no ambiente científico estadual.
No Espírito Santo, exemplos concretos demonstram como a atuação feminina tem ampliado o impacto da inovação. A advogada Maria Luiza Fontenelle, fundadora da startup +Jus, atua em um setor tradicionalmente masculino ao utilizar Inteligência Artificial para simplificar a linguagem jurídica e ampliar o acesso à justiça. “A tecnologia precisa de diferentes olhares para inovar”, destaca.
Outro caso é o da empreendedora Daniela Vieira, criadora da plataforma Ciência pra Vida. Pesquisadora de formação, ela transformou sua trajetória acadêmica em negócio ao desenvolver soluções educativas baseadas em experimentação científica para a primeira infância. A mudança ocorreu após a maternidade, período em que precisou se afastar dos laboratórios.
“Durante a gestação, precisei me afastar dos laboratórios, mas a ciência nunca saiu de mim. Ela apenas encontrou um novo espaço para acontecer. Conhecimento não se perde, ele se transforma”, afirma Daniela.
Apaixonada pela ciência desde a infância, Daniela adaptou seus conhecimentos para criar projetos educativos que hoje se materializam em iniciativas como o Box Pequeno Cientista, a Plataforma Pequeno Cientista e programas de formação de professores. As soluções utilizam experiências científicas como ferramenta de desenvolvimento integral, estimulando curiosidade, autonomia e pensamento crítico desde cedo.
Para Isabella Calmon, fortalecer a presença feminina na ciência e na tecnologia é também uma estratégia de desenvolvimento. “Ambientes diversos geram soluções mais completas, inovadoras e conectadas à realidade social. Não se trata apenas de ocupar espaços, mas de liderar projetos, criar soluções e influenciar decisões”, ressalta.
A participação em comunidades femininas é apontada como um passo essencial para ampliar oportunidades. Grupos como Mulheres na Inovação – ES e Mulheres na TI fortalecem redes de apoio, ampliam repertórios e geram conexões profissionais.
Eventos de inovação também desempenham papel estratégico. O ESX 2026 – Innovation Experience Espírito Santo, que será realizado em junho na Praça do Papa, em Vitória, conecta criatividade, tecnologia e negócios, tendo a diversidade como eixo transversal.
Já o Sebrae/ES, por meio do Sebrae Delas, promove o EmpoderaDONAS, evento que celebra o empreendedorismo feminino. Na programação mais recente, o Palco INOVAdonas abriu espaço para debates sobre tecnologia, inovação e ciência, reforçando que capacitação e empreendedorismo seguem como caminhos concretos para ampliar o protagonismo feminino na ciência.