Data movimenta o comércio, mas especialistas recomendam definir limites, pesquisar preços e envolver as crianças nas escolhas
O Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, costuma aquecer o comércio e aumentar a procura por brinquedos, eletrônicos, roupas e outros produtos destinados ao público infantil. Para as famílias, porém, a data também exige planejamento, especialmente diante do cenário de endividamento dos consumidores brasileiros.
Dados do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apontam que o Brasil encerrou agosto com 73,71 milhões de consumidores inadimplentes.
Diante desse cenário, a recomendação é que a compra do presente seja planejada com antecedência e esteja de acordo com a realidade financeira de cada família.
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Para o educador financeiro da Sicredi Serrana, Creiciano Paiva, o momento pode ir além do consumo e se transformar também em uma oportunidade de ensinar às crianças conceitos relacionados ao dinheiro.
“O Dia das Crianças pode ser muito mais do que uma data de consumo. É uma oportunidade para os pais conversarem com os filhos sobre escolhas, prioridades e o valor do dinheiro”, explica.
Uma das principais orientações é estabelecer previamente quanto a família poderá gastar. Com um limite definido, fica mais fácil pesquisar preços e avaliar diferentes alternativas sem comprometer outras despesas do mês.
O parcelamento também precisa ser analisado com cuidado. Uma prestação aparentemente pequena pode representar um impacto significativo quando somada a outras compras já assumidas pela família.
“É importante considerar o impacto da soma das prestações no orçamento mensal”, alerta Paiva.
Outra estratégia é envolver a própria criança na escolha. Os responsáveis podem apresentar algumas opções dentro de um determinado valor e explicar que será necessário escolher uma delas. Além de ajudar no controle dos gastos, a prática permite trabalhar desde cedo conceitos como planejamento, prioridades e tomada de decisão.
A educação financeira na infância é uma das frentes do programa Cooperação na Ponta do Lápis, do Sicredi, que busca estimular uma relação mais consciente com o dinheiro.
A proposta é mostrar que não é necessário esperar a adolescência ou a vida adulta para começar a falar sobre finanças. Situações simples do cotidiano podem servir como ferramentas de aprendizado.
“Não é necessário transformar a criança em especialista em finanças. Pequenas situações do dia a dia já são suficientes para ensinar”, afirma Creiciano.
Escolher entre dois brinquedos, guardar parte de uma quantia recebida ou estabelecer uma meta para comprar algo são experiências que podem ajudar a desenvolver uma relação mais consciente com o dinheiro.
Mais do que encontrar o presente mais caro ou o produto mais desejado, o objetivo é encontrar uma alternativa que faça sentido para a criança e caiba no orçamento familiar.
Para os adultos, a principal orientação é evitar que o desejo de proporcionar um momento especial no Dia das Crianças resulte em uma dívida que comprometa despesas essenciais nos meses seguintes.
Planejar, pesquisar e estabelecer prioridades são atitudes que podem ajudar a família a comemorar a data sem transformar o presente em uma preocupação financeira futura.