Mostra reúne trabalhos de Luciano Feijão e Natanael de Souza e propõe reflexões sobre corpo, identidade, trabalho, ancestralidade e formas de proteção
A arte contemporânea ganha espaço na Casa da Memória da Prainha, em Vila Velha, a partir de 11 de novembro, com a abertura da mostra conjunta “Anatomia em Crise!”, que reúne trabalhos dos artistas visuais Luciano Feijão e Natanael de Souza.
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Realizada na galeria do Museu Casa da Memória, a exposição apresenta desenhos e instalações que abordam questões relacionadas ao corpo negro, às relações de trabalho, à exploração racial, à ancestralidade e às diferentes formas de representação e construção da identidade.
A mostra de Luciano Feijão parte de uma investigação sobre o corpo negro e suas relações com o trabalho e a exploração racial. Por meio do desenho e de instalações, o artista questiona padrões científicos, anatômicos e sociais que, ao longo da história, contribuíram para a construção de representações e mecanismos de dominação sobre a população negra.
O trabalho também estabelece conexões entre o passado marcado pela escravização e questões que permanecem presentes na sociedade contemporânea, especialmente no que diz respeito à desigualdade, ao trabalho e ao acesso à riqueza produzida pela população negra.
A exposição dá continuidade à pesquisa apresentada por Feijão em “Greve Negra Já!”, que esteve em cartaz no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES), em Vitória, no início deste ano. Agora, a produção chega a Vila Velha em uma nova apresentação, ampliando o diálogo com o público.
Graduado em Artes Plásticas e mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Luciano Feijão também atuou como professor de Desenho no Departamento de Artes Visuais da instituição. Sua trajetória artística é marcada principalmente pela produção de desenhos e ilustrações, além da participação em exposições individuais e coletivas.
Convidado para integrar a mostra, Natanael de Souza apresenta a exposição “Construção Boma”, formada por desenhos e instalações que investigam a imagem como possibilidade de abrigo, proteção e transformação.
O conceito de “boma” está relacionado à ideia de um espaço protegido ou de um lugar de segurança. A partir dessa referência, o artista desenvolve uma pesquisa visual em que elementos como pessoas, máscaras, tábuas, martelos e pregos aparecem combinados em diferentes composições.
Nas obras, corpo, objeto, arquitetura e símbolo se misturam. As formas se sobrepõem e se transformam, criando imagens que sugerem estruturas em permanente construção.
Formado em Artes Visuais, Natanael de Souza desenvolve trabalhos que transitam pelo desenho, pela produção gráfica, pelas publicações independentes e pelas plataformas digitais. Sua pesquisa aborda a imagem como espaço de tensão entre corpo, linguagem e circulação, com participação em exposições coletivas, projetos editoriais e experiências relacionadas à criptoarte.
A exposição conjunta coloca em diálogo duas pesquisas artísticas que, a partir de diferentes caminhos, abordam o corpo, a memória, a identidade e as formas de resistência e proteção. A proposta é aproximar o público de questões históricas e contemporâneas por meio da linguagem das artes visuais.
A visitação será gratuita e poderá ser feita de terça-feira a domingo, das 8h30 às 17h30.