Candidato do MDB destacou resultados da gestão estadual, investimentos em segurança, educação, mobilidade e qualificação e afirmou que o próximo ciclo deve partir das conquistas já alcançadas
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Espírito Santo nas Eleições 2026 colocou frente a frente, nesta sexta-feira (18), Ricardo Ferraço (MDB), Hélder Salomão (PT) e Lorenzo Pazolini (Republicanos). Promovido pelo Grupo SIM, o encontro durou cerca de duas horas e foi marcado por perguntas diretas entre os concorrentes, questionamentos de jornalistas e discussões sobre segurança pública, educação, saúde, mobilidade, turismo, geração de empregos, infraestrutura e gestão.
Ao longo do debate, Ricardo Ferraço adotou como uma das principais linhas de argumentação a defesa da continuidade de políticas que, segundo ele, contribuíram para os resultados alcançados pelo Espírito Santo nos últimos anos. O candidato também apresentou propostas voltadas à modernização da administração pública e à ampliação de investimentos em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento estadual.
Antes do encontro, Ferraço afirmou que o Estado deveria olhar para os avanços recentes como ponto de partida para uma nova etapa.
“Nós evoluímos muito nos últimos anos no Espírito Santo, e todas as conquistas precisam ser identificadas como ponto de partida e não como ponto de chegada”, declarou.
O debate foi realizado pelo Grupo SIM como parte da cobertura das Eleições 2026. O encontro reuniu três dos candidatos que participam da disputa e teve transmissão simultânea por televisão, rádio e plataformas digitais.
A segurança pública foi um dos assuntos que mais mobilizou os candidatos. Ao questionar Lorenzo Pazolini sobre as metas para a área, Ferraço defendeu a continuidade da recomposição dos efetivos e dos investimentos realizados pelo Estado.
Durante sua participação, o candidato citou contratações e ações de estruturação das forças de segurança e associou o fortalecimento dos efetivos à capacidade de resposta do poder público.
A discussão também envolveu o uso de tecnologia, valorização dos profissionais, prevenção da violência e políticas voltadas à proteção das mulheres.
Pazolini, por sua vez, defendeu a ampliação do uso de câmeras corporais e de ferramentas tecnológicas. Hélder Salomão apresentou uma abordagem que relaciona segurança, políticas sociais e prevenção.
Na educação, Ferraço destacou a expansão das escolas de tempo integral e a utilização de novas tecnologias no ambiente escolar.
O candidato também citou iniciativas relacionadas ao uso de ferramentas digitais e inteligência artificial, dentro de uma proposta que apresentou como parte da modernização da educação pública.
A discussão, entretanto, também trouxe divergências sobre valorização dos professores e modelo de gestão. Hélder Salomão questionou Ferraço sobre remuneração e condições de trabalho dos profissionais da educação.
Ferraço respondeu enfatizando indicadores educacionais, investimentos e a ampliação da jornada escolar.
O debate mostrou, nesse ponto, duas abordagens distintas: enquanto Ferraço ressaltou estrutura, resultados e modernização da rede, Salomão concentrou seus argumentos na gestão democrática, valorização profissional e participação dos servidores.
Outro momento de destaque foi a discussão sobre mobilidade urbana.
Questionado por Hélder Salomão, Ferraço apresentou obras e projetos relacionados à integração do sistema metropolitano, citando corredores de transporte, o Aquaviário, intervenções viárias e melhorias na infraestrutura.
O candidato também mencionou a ampliação e modernização da frota de ônibus e obras destinadas a melhorar a ligação entre municípios da Grande Vitória.
Salomão defendeu a adoção de faixas exclusivas para ônibus e a elaboração de um plano metropolitano integrado.
Ferraço respondeu ressaltando a necessidade de articulação entre Estado e municípios para a execução de projetos de mobilidade.
A formação da aliança política também foi questionada durante o debate.
Ferraço afirmou que sua coligação reúne diferentes forças políticas e que a composição não deveria ser interpretada apenas pela divisão tradicional entre direita e esquerda.
Segundo o candidato, a prioridade de um eventual novo governo deve ser o interesse do Espírito Santo, com escolha de integrantes da administração considerando capacidade técnica, experiência e compromisso com as políticas públicas.
A defesa de uma gestão baseada em planejamento e capacidade de execução apareceu em diferentes momentos da participação do candidato.
A saúde pública também gerou um dos confrontos mais intensos do debate.
Hélder Salomão apresentou propostas relacionadas à regionalização dos serviços, ampliação de especialidades e atendimento às mulheres.
Pazolini questionou números relacionados à fila de exames e procedimentos e fez críticas à gestão estadual.
Ferraço, em outros momentos do debate, associou a discussão sobre serviços públicos à necessidade de planejamento, investimento e capacidade de execução.
A saúde acabou funcionando como um dos temas em que os três candidatos apresentaram abordagens diferentes para enfrentar filas, ampliar atendimento e descentralizar serviços.
Na discussão sobre geração de empregos, Ferraço destacou programas de qualificação profissional e iniciativas destinadas a diferentes faixas etárias.
O candidato defendeu a preparação da mão de obra de acordo com as necessidades dos setores produtivos e citou programas estaduais voltados à formação profissional.
Pazolini também defendeu a ampliação da qualificação, enquanto Salomão colocou no centro do debate o apoio às micro e pequenas empresas, à agricultura familiar e ao desenvolvimento regional.
O turismo foi outro assunto abordado no confronto.
Ao responder a Pazolini, Hélder Salomão defendeu uma política integrada entre as diferentes regiões do Espírito Santo, citando o Caparaó, as montanhas, o litoral norte, Itaúnas, o agroturismo, o ecoturismo e o turismo de aventura.
A proposta apresentada por Salomão prevê maior integração entre municípios, iniciativa privada e governo federal.
Pazolini também apresentou o turismo como uma atividade capaz de gerar emprego e movimentar a economia.
Para Ferraço, a discussão sobre desenvolvimento deve estar associada à capacidade do Estado de manter investimentos, infraestrutura e ambiente favorável para novos negócios.
A situação fiscal do Estado também foi abordada durante o debate.
Ao responder a questionamentos sobre a capacidade de financiar propostas, Hélder Salomão citou sua experiência administrativa em Cariacica e defendeu negociação permanente com servidores públicos.
Ferraço, por sua vez, utilizou o equilíbrio das contas públicas como argumento para defender a capacidade de investimento do Espírito Santo.
A questão fiscal apareceu ligada a praticamente todos os demais temas discutidos: segurança, educação, saúde, infraestrutura e mobilidade.
Ao longo do debate, Ricardo Ferraço manteve uma linha de discurso baseada em três elementos recorrentes: continuidade das políticas públicas, capacidade de investimento e modernização da gestão.
O candidato apresentou a avaliação de que o Espírito Santo avançou nos últimos anos e que o próximo governo deverá ampliar essas conquistas.
Na sua fala final, Ferraço voltou a defender uma administração voltada para resultados e criticou o que classificou como promessas sem correspondência com a realidade administrativa.
Também afirmou que pretende governar sem se limitar à polarização ideológica.
“Agora é hora de avançar e avançar com velocidade na construção de um Espírito Santo cada vez maior, mais forte, com mais oportunidade para os capixabas”, afirmou antes do debate.
A posição apresentada por Ferraço está alinhada ao discurso que vem sendo utilizado em sua campanha e que também apareceu na sabatina realizada pelo Grupo SIM dois dias antes do debate. Na entrevista, o candidato tratou de temas como segurança, feminicídio, transporte coletivo, educação, logística, turismo e economia.
O encontro entre Ferraço, Salomão e Pazolini representou o primeiro confronto direto entre os três candidatos na atual disputa pelo Governo do Espírito Santo.
Enquanto Ferraço concentrou sua participação na defesa da continuidade administrativa, dos investimentos e da modernização do Estado, Salomão apresentou propostas associadas à participação social, políticas públicas e parceria com o governo federal. Pazolini, por sua vez, enfatizou segurança, tecnologia, saúde, gestão e políticas.
O Grupo SIM informou que o debate faz parte de uma operação multiplataforma de cobertura das Eleições 2026, que inclui televisão, rádio e plataformas digitais. A emissora também realizou previamente uma série de sabatinas individuais com os candidatos.
O primeiro confronto, portanto, colocou em evidência diferentes projetos para o futuro do Espírito Santo e abriu uma nova etapa da campanha eleitoral, na qual os candidatos passam a apresentar suas propostas não apenas individualmente, mas também diante dos argumentos e questionamentos dos adversários.
Debate Record News Equipe de jornalistas conduziu rodada de perguntas
Mediadora a jornalista Andressa Missio juntamente com os jornalistas Vinícius Baptista, Fábio Botacin e Tiago Américo.
Repórteres e perguntas feitas no debate
1. Vinícius Baptista — jornalista do Grupo SIM
A pergunta foi dirigida a Ricardo Ferraço e tratou da formação da aliança política:
“Como será a participação dos partidos aliados em um eventual governo? A gestão será alinhada à direita ou à esquerda?”
Ferraço respondeu defendendo uma frente ampla e afirmou que os partidos aliados poderiam participar da administração, mas que as decisões deveriam considerar, segundo ele, os interesses da população capixaba. Também foi questionado sobre sua posição na eleição presidencial e respondeu que estaria “do lado do interesse do povo capixaba”.
2. Fábio Botacin — jornalista do Grupo SIM
A pergunta foi dirigida a Hélder Salomão e abordou responsabilidade fiscal:
“Como garantir o cumprimento das promessas mantendo o equilíbrio das contas públicas?”
Salomão respondeu citando sua experiência como prefeito de Cariacica e afirmou que pretendia conciliar responsabilidade fiscal, investimentos e valorização dos servidores públicos.
Na sequência, o bloco também trouxe questionamento sobre parcerias com o Governo Federal para obras como as BR-262 e BR-259, tema que levou Salomão a falar sobre sua relação política com o presidente Lula e sobre investimentos federais.
3. Tiago Américo — jornalista do Grupo SIM
A pergunta foi dirigida a Lorenzo Pazolini e tratou do uso de câmeras corporais pelas forças de segurança:
“Se eleito, vai obrigar policiais militares e civis a utilizarem câmeras corporais?”
Pazolini defendeu a ampliação da utilização das câmeras, destacando tanto a proteção dos policiais quanto a produção de provas. Também falou sobre a necessidade de protocolos para preservar imagens de ocorrências sensíveis.
Mediação
A condução do debate ficou a cargo da jornalista Andressa Missio, responsável pela apresentação e mediação do encontro. O formato teve quatro blocos, incluindo confronto direto entre os candidatos, perguntas dos jornalistas, temas sorteados e possibilidade de direito de resposta.
Cris Dock
Cris Dock. superintendente de Jornalismo e participou da preparação da cobertura eleitoral. Em publicação anterior, o Grupo SIM também a identifica como supervisora de Conteúdo.
Ela destacou que a cobertura eleitoral foi planejada como uma operação multiplataforma, envolvendo televisão, rádio, portal e YouTube, com o objetivo declarado de oferecer informações para que os eleitores conhecessem os candidatos e suas propostas.
Luciene Costa jornalista Revista Ekletica
revistaekletica@gmail.com