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Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho

Dia Mundial do Chocolate: especialistas explicam como consumir o doce sem abrir mão da saúde

Celebrado em 7 de julho, o Dia Mundial do Chocolate é uma oportunidade para esclarecer mitos e verdades sobre um dos alimentos mais queridos pelos brasileiros. Presente em 92,9% dos lares do País, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), o chocolate deixou de ser apenas uma sobremesa para ocupar espaço no dia a dia de milhões de pessoas.

Mas será que ele faz bem à saúde? A resposta é sim, desde que seja consumido de forma consciente e que a escolha do produto seja adequada. Especialistas destacam que os chocolates com maior concentração de cacau oferecem benefícios importantes ao organismo, enquanto as versões com excesso de açúcar e gordura devem ser consumidas com mais cautela.

A endocrinologista Gisele Lorenzoni explica que o cacau é rico em flavonoides, compostos bioativos com ação antioxidante e anti-inflamatória, capazes de contribuir para a saúde cardiovascular.

“O cacau é rico em flavonoides, compostos que ajudam a combater o estresse oxidativo e podem contribuir para a saúde cardiovascular, melhorando a função dos vasos sanguíneos e auxiliando no controle da pressão arterial. Porém, esses benefícios estão relacionados principalmente aos chocolates com maior teor de cacau, geralmente acima de 70%”, afirma a médica.

O chocolate também é conhecido por proporcionar sensação de prazer. Segundo Gisele Lorenzoni, isso acontece porque o alimento estimula a liberação de dopamina e endorfinas, neurotransmissores ligados aos mecanismos de recompensa e bem-estar.

Apesar desse efeito, a endocrinologista alerta que o chocolate não deve ser encarado como solução para problemas emocionais.

“O efeito é temporário e não substitui hábitos saudáveis para manter o equilíbrio emocional”, ressalta.

Ela também explica que o aumento da vontade de comer chocolate durante a tensão pré-menstrual (TPM) é comum e está relacionado às alterações hormonais desse período, associadas a fatores emocionais e comportamentais.

Embora possa fazer parte de uma alimentação saudável, a endocrinologista destaca que o maior problema está no excesso de consumo e na escolha de chocolates com pouco cacau e grande quantidade de açúcar.

“Não existe alimento proibido para a maioria das pessoas. O chocolate pode ser incluído em uma alimentação equilibrada, desde que seja consumido em pequenas quantidades”, orienta.

Pessoas com diabetes precisam considerar a quantidade de carboidratos presente no alimento para manter o controle glicêmico. Já pacientes com doença do refluxo gastroesofágico podem perceber agravamento dos sintomas após o consumo. Pessoas com alergia ao leite, ao cacau ou a outros ingredientes também devem evitar esses produtos.

Para quem está em processo de emagrecimento, o consumo também exige planejamento, sempre levando em conta o contexto da alimentação diária.

Segundo Gisele Lorenzoni, não existe uma quantidade universalmente recomendada, mas pequenas porções de chocolate amargo, consumidas ocasionalmente, costumam ser suficientes.

“O mais importante é que o chocolate seja um prazer, e não um motivo de culpa ou de exageros”, conclui.

A nutricionista  explica que o desejo por doces vai além da simples preferência pelo sabor. Fatores emocionais, hormonais e até deficiências nutricionais podem aumentar essa vontade.

Ansiedade, estresse e alterações hormonais, como as que ocorrem durante a TPM, estimulam a busca por alimentos doces porque o organismo tenta aumentar a produção de serotonina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e bem-estar.

Além disso, baixos níveis de magnésio, cromo e vitaminas do complexo B também podem intensificar esse desejo.

“O consumo frequente de açúcar pode se transformar em um hábito difícil de controlar. Por isso, é importante identificar a causa da compulsão e não apenas restringir o alimento”, explica a nutricionista.

Segundo Roberta Larica, nem todo chocolate oferece os mesmos benefícios. A recomendação é observar sempre o percentual de cacau indicado na embalagem.

Os chocolates amargos, com 70% ou mais de cacau, concentram maior quantidade de antioxidantes e compostos que favorecem a produção de serotonina. Já os chocolates ao leite possuem mais açúcar, enquanto o chocolate branco praticamente não contém massa de cacau, sendo composto principalmente por manteiga de cacau, açúcar e gordura.

Para quem deseja migrar para versões mais saudáveis, a nutricionista recomenda uma adaptação gradual do paladar.

Outra orientação é consumir pequenas porções, preferencialmente após as refeições principais. A presença de proteínas, fibras e gorduras saudáveis ajuda a reduzir os picos de glicose no sangue.

Ela também aconselha evitar manter grandes quantidades de doces em casa, especialmente para pessoas que têm dificuldade em controlar o consumo.

A nutricionista destaca ainda que o paladar é formado nos primeiros anos de vida. Por isso, adiar a introdução do açúcar na alimentação infantil favorece a aceitação dos sabores naturais dos alimentos e pode reduzir o risco de compulsão por doces na vida adulta.

Segundo ela, melhorar a alimentação não significa eliminar o chocolate da rotina, mas fazer escolhas mais inteligentes.

Optar por chocolates com maior teor de cacau, reduzir gradualmente o consumo de açúcar e manter o equilíbrio na alimentação são estratégias que permitem aproveitar o sabor e os benefícios do alimento sem comprometer a saúde.

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