No Dia Nacional do Cacau, celebrado nesta quinta-feira (26), o Espírito Santo destaca não apenas sua posição entre os maiores produtores do país, mas também a evolução expressiva da cultura ao longo da última década. Atualmente, o Estado ocupa o terceiro lugar no ranking nacional, respondendo por cerca de 4,1% da produção brasileira.
Os números mais recentes mostram que, em 2024, a produção capixaba chegou a 12.166 toneladas de cacau em amêndoa, cultivadas em 15.784 hectares. Mais do que o volume, chama atenção o salto na produtividade: a média atual é de 771 quilos por hectare, quase quatro vezes maior do que em 2014, quando o rendimento era de apenas 195 quilos por hectare.
O município de Linhares concentra a maior parte dessa produção, com mais de dois terços do total estadual. Mas a expansão da cultura também se distribui por outras regiões, com destaque para Colatina, Rio Bananal, São Mateus e Águia Branca, que juntos reforçam a presença do cacau no interior capixaba.
Hoje, a cacauicultura está presente em 49 municípios e envolve mais de 2,8 mil propriedades rurais. A atividade tem forte base na agricultura familiar, responsável por quase 70% da produção, o que contribui diretamente para a geração de renda e a fixação do homem no campo.
O avanço da produção está diretamente ligado à adoção de novas tecnologias, melhoria genética das lavouras e técnicas mais eficientes de manejo. Para o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, esse conjunto de fatores tem transformado o cenário da cultura no Estado.
“O cacau capixaba vive um novo momento, com mais produtividade e qualidade. Isso fortalece toda a cadeia produtiva, gera oportunidades no campo e impulsiona o desenvolvimento regional”, afirmou.
Além da produção, o impacto econômico também é significativo. Em 2024, o Valor Bruto da Produção (VBP) do cacau atingiu R$ 543,5 milhões. A projeção para 2025 é de crescimento de 6%, o que pode elevar a produção para quase 12,9 mil toneladas.
Outro movimento importante no setor é o fortalecimento da participação feminina. Projetos voltados à inclusão produtiva têm ampliado o espaço das mulheres na cacauicultura, oferecendo capacitação, acesso à tecnologia e incentivo à gestão das propriedades.
A iniciativa Mulheres do Cacau é um exemplo desse avanço. Em 2025, o projeto atendeu produtoras de municípios como Linhares, Rio Bananal, Colatina, São Roque do Canaã e Santa Teresa, promovendo autonomia e maior participação das mulheres na cadeia produtiva.