Celebrado nesta quinta-feira (12), o Dia Mundial do Rim mobiliza instituições de saúde em todo o planeta para chamar a atenção da população sobre uma condição que avança de forma silenciosa e pode trazer consequências graves: a Doença Renal Crônica (DRC). A enfermidade compromete progressivamente o funcionamento dos rins e, em muitos casos, só é descoberta quando já está em estágio avançado.
Dados globais apontam que cerca de uma em cada dez pessoas no mundo apresenta algum grau de comprometimento da função renal. O dado mais preocupante é que até 90% desses indivíduos desconhecem o problema. No Brasil, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas convivam com a doença, enquanto cerca de 170 mil já dependem de tratamentos como a diálise para sobreviver.
Segundo o nefrologista Roberto Savio Silva Santos, médico do Hospital Santa Rita e doutor pela Universidade de São Paulo, o grande desafio no combate à doença é justamente o fato de ela evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais.
“Quando o diagnóstico ocorre de forma tardia, a sobrevivência passa a depender de tratamentos complexos e de alto custo. Por isso, a identificação precoce é a ferramenta mais poderosa que temos para evitar ou retardar a progressão da insuficiência renal”, explica o especialista.
A recomendação dos especialistas é que os chamados grupos de risco redobrem a atenção. Entre eles estão pessoas com Diabetes e Hipertensão Arterial, responsáveis pela maioria dos casos de falência renal terminal.
Além dessas condições, indivíduos com Obesidade, histórico familiar de doença renal ou inflamações nos rins — como as Nefrites — também devem manter acompanhamento médico regular.
“Essas condições favorecem a lesão progressiva dos rins e aceleram a perda da função renal ao longo dos anos quando não há controle adequado”, alerta o nefrologista.
Apesar da gravidade da doença, o rastreamento é considerado simples e acessível. Ele é realizado, principalmente, por meio da dosagem de creatinina no sangue e da avaliação da presença de proteína na urina, exames disponíveis tanto na rede pública quanto na privada.
Quando a doença é detectada precocemente, é possível adotar medidas que mudam significativamente o prognóstico do paciente, como ajustes na alimentação, controle rigoroso das doenças associadas e o uso de medicamentos específicos.
Para os especialistas, a principal mensagem do Dia Mundial do Rim é clara: informação e prevenção são as maiores aliadas no combate à doença.
“O grande desafio da nefrologia moderna não é apenas tratar a falência renal, mas conscientizar a população para que o diagnóstico seja feito muito antes das complicações. Esse é o verdadeiro alerta coletivo pela vida”, conclui o médico.