Encontro anual reúne governo, academia, setor produtivo e sociedade civil para atualizar metas estratégicas e monitorar avanços do planejamento de longo prazo do Espírito Santo
O planejamento de longo prazo para o desenvolvimento do Espírito Santo ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira (9), com a realização da segunda edição do Encontro Anual ES 500 Anos, no Palácio Anchieta, em Vitória. O evento reuniu cerca de 450 participantes, entre representantes do poder público, setor produtivo, academia e sociedade civil, para apresentar os avanços do plano estratégico que projeta o futuro do estado até 2035.
O Plano ES 500 Anos foi entregue à sociedade em julho de 2025 e estabelece um conjunto de 31 metas com prazos definidos e resultados mensuráveis, organizadas em cinco missões estratégicas. O documento busca orientar políticas públicas e iniciativas estruturantes para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do Espírito Santo nas próximas décadas.
Durante o encontro, foram apresentados os resultados iniciais da execução do planejamento e novas etapas de monitoramento e participação social.
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, destacou que o planejamento de longo prazo tem sido fundamental para consolidar o crescimento do estado e garantir continuidade administrativa.
Segundo ele, os indicadores recentes mostram um cenário positivo. “Encerramos 2025 com números importantes. O Espírito Santo teve o maior percentual de investimento público do Brasil, cerca de 20% da receita total. Ao mesmo tempo, temos a maior poupança e a menor dívida entre os estados”, afirmou.
Casagrande ressaltou que esses resultados são fruto de um esforço coletivo. “Não se governa um estado sozinho. Quando temos instituições organizadas e a sociedade participando do planejamento, conseguimos governar melhor e construir resultados duradouros”, disse.
O governador também destacou que o planejamento precisa ser permanentemente acompanhado. “Planejar muitas vezes é a parte mais fácil. O desafio é executar, monitorar e acompanhar para garantir que as metas sejam cumpridas”, completou.
O secretário de Estado de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc, ressaltou que o ES 500 Anos foi concebido desde o início como um plano de Estado, construído com participação ativa da sociedade.
“O ES 500 Anos não foi pensado para ser um documento que fica na estante. Ele é um plano de Estado, não de governo, e só faz sentido com participação, transparência e corresponsabilidade. Contamos com todos para seguir construindo o Espírito Santo que queremos para as próximas gerações”, afirmou.
Representando o setor produtivo, o diretor-presidente do Espírito Santo em Ação, Fernando Saliba, destacou que o planejamento se consolidou como um instrumento coletivo para orientar o desenvolvimento do estado.
Segundo ele, o plano tem evoluído com forte engajamento social. “Esse é um plano vivo. Ele não pertence a um governo, mas à sociedade capixaba. A sociedade define prioridades, acompanha os resultados e contribui para que o plano evolua continuamente”, afirmou.
Saliba destacou ainda que o planejamento estabelece um horizonte de dez anos e reúne mais de 100 iniciativas estruturantes distribuídas em cinco missões estratégicas: economia inovadora, formação de capital humano, cuidado integral, sustentabilidade ambiental e inovação na gestão pública.
Ele também apontou desafios importantes para o futuro, especialmente na área de educação e qualificação profissional. “A formação educacional é a base de tudo. Precisamos ampliar a alfabetização na idade certa e reduzir o número de pessoas que ainda não concluíram o ensino fundamental”, disse.
Outro ponto levantado por Saliba é o chamado “apagão de mão de obra” em alguns setores da economia. “Precisamos conectar melhor as demandas das empresas com a formação oferecida pelas instituições de ensino”, explicou.
Representando a academia, o diretor da FAESA Centro Universitário, Alexandre Theodoro, ressaltou que a qualificação profissional será determinante para sustentar o crescimento econômico do Espírito Santo.
Ele destacou que as instituições de ensino têm buscado acompanhar as transformações do mercado de trabalho, mas defendeu uma integração ainda maior com o setor produtivo.
“O grande desafio é aproximar cada vez mais as instituições de ensino das empresas. Precisamos identificar com antecedência quais profissionais serão necessários daqui a alguns anos para preparar nossos jovens e trabalhadores”, afirmou.
Para Theodoro, o planejamento de longo prazo é essencial para garantir oportunidades às futuras gerações. “Estamos em busca de um futuro melhor para nós, nossos filhos e nossos netos. É esse propósito que nos move a construir um planejamento estratégico para o estado”, disse.
A estrutura de governança e os avanços do plano foram apresentados pela secretária-geral do ES 500 Anos, Débora Macedo, e pela economista e consultora Sílvia Varejão.
Débora explicou que o plano foi construído de forma colaborativa, envolvendo quatro setores da sociedade: poder público, setor produtivo, academia e sociedade civil.
“O ES 500 Anos é fruto de uma inteligência coletiva que pensa o futuro do Espírito Santo. Ele estabelece uma visão estratégica até 2035, quando o estado completa 500 anos de história”, destacou.
Segundo ela, o planejamento está estruturado em cinco grandes missões e possui uma governança composta por diversas instâncias de acompanhamento, como Conselho de Liderança, Assembleia do Plano, núcleos de apoio e arenas de participação social.
Débora ressaltou ainda que atualmente as coordenações das missões trabalham na organização de cerca de 400 iniciativas estruturantes que orientam as ações do plano.
Já a economista Sílvia Varejão apresentou o Observatório do ES 500 Anos, plataforma digital que reúne indicadores e informações sobre o andamento das metas do planejamento.
“O observatório foi criado para garantir transparência e permitir que qualquer cidadão acompanhe o desempenho do plano. São mais de 90 indicadores que mostram como o Espírito Santo está avançando em relação às metas estabelecidas”, explicou.
Ela destacou que o sistema integra dados de mais de 30 fontes diferentes e permite acompanhar o desempenho do estado em áreas como economia, educação, saúde e sustentabilidade.
Durante o encontro também foi anunciado o chamamento público para que novas instituições passem a integrar a Assembleia do Plano ES 500 Anos, ampliando o processo de participação social.
Hoje cerca de 80 organizações já participam da governança do planejamento estratégico.
Para o governador Renato Casagrande, ampliar essa participação é essencial para fortalecer o projeto. “Quanto mais instituições participam, maior é a capacidade de manter o planejamento vivo e garantir que o Espírito Santo continue avançando”, afirmou.
O segundo bloco da programação foi dedicado ao tema “Formação de capital humano e desenvolvimento de competências para o futuro”, reunindo especialistas para debater os desafios da educação, empregabilidade e inovação diante das transformações tecnológicas.
Participaram do debate a professora Clarissa Gandour, da FGV, Henrique Romano Carneiro, diretor-executivo da Escola São Domingos, e Samuel Franco, sócio-diretor da Oppen Social. A mediação foi do diretor do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira.
O encontro reforçou a formação de capital humano como eixo central do Plano ES 500 Anos e consolidou a articulação entre governo, setor produtivo, academia e sociedade civil para sustentar uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo.
Instituído pela Lei Estadual nº 12.375/2025, o Plano ES 500 Anos representa um marco no planejamento estratégico do Espírito Santo. Sua construção contou com ampla participação social, incluindo 10 oficinas regionais, 34 oficinas temáticas, mais de 120 entrevistas com especialistas e a contribuição de cerca de 1.700 pessoas de 230 instituições.