Setor de rochas naturais leva agenda estratégica a Brasília e projeta dobrar exportações até 2030
Após alcançar um resultado histórico de US$ 1,48 bilhão em exportações em 2025, o setor brasileiro de rochas naturais decidiu dar um passo além: transformar crescimento em política de Estado. A meta é ambiciosa — chegar a US$ 3 bilhões em vendas externas até 2030 — e o caminho para isso começou a ser traçado em Brasília, durante uma sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados que colocou o segmento no centro do debate nacional.
A cerimônia, inédita para o setor, reuniu parlamentares, representantes do governo federal, lideranças empresariais e entidades industriais. Proposta pela bancada federal do Espírito Santo, principal polo exportador do país, a sessão foi também um movimento estratégico: levar ao Congresso Nacional os gargalos que ainda limitam a competitividade de uma cadeia produtiva altamente internacionalizada e fundamental para a balança comercial brasileira.
Na tribuna, o presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), Tales Machado, destacou que o desempenho recente do setor não foi obra do acaso. Segundo ele, os resultados são fruto de organização produtiva, investimentos em tecnologia e forte presença nos mercados internacionais. No entanto, alertou que manter essa trajetória exige mudanças estruturais. “O setor mostrou resiliência e capacidade de gerar divisas mesmo em um cenário global adverso. Agora, precisamos de um ambiente regulatório mais ágil, previsível e compatível com a realidade do mercado internacional”, afirmou.
Um dos principais entraves apontados foi o licenciamento mineral e ambiental. Atualmente, o prazo para obtenção de uma autorização definitiva para exploração pode ultrapassar oito anos, um tempo considerado incompatível com a dinâmica do comércio global. Para a Centrorochas, a falta de previsibilidade trava investimentos, reduz competitividade e compromete a geração de empregos.
A infraestrutura logística também entrou no centro do debate. O setor de rochas naturais é intensivo no transporte de cargas pesadas e depende diretamente de portos eficientes e rodovias em boas condições. Nesse contexto, projetos como o Porto da Imetame, previsto para entrar em operação em 2028, foram citados como estratégicos para reduzir custos e ampliar a capacidade exportadora do país.
Outro ponto sensível é a regulamentação do transporte rodoviário. De acordo com o setor, regras específicas sobre peso bruto total aplicadas às rochas naturais não seguem o mesmo critério adotado para outros segmentos industriais, criando distorções que afetam diretamente a competitividade das empresas brasileiras no mercado externo.
Além das pautas estruturais, o setor apresentou um pleito de caráter regional com impacto nacional: a inclusão do Sul do Espírito Santo na área de abrangência da Sudene. A medida permitiria acesso a instrumentos de fomento e incentivos fiscais. “Não é um pedido por privilégio, mas por equidade. Estamos falando da região onde o setor nasceu, altamente industrializada e exportadora, que pode acelerar investimentos e ampliar sua contribuição ao desenvolvimento do país”, defendeu Tales Machado.
O deputado federal Josias Da Vitória (PP-ES), que presidiu a sessão, reforçou a importância econômica e social do setor para o Espírito Santo e para o Brasil. Segundo ele, o crescimento sustentável da atividade depende de um esforço conjunto entre iniciativa privada e poder público. “É fundamental garantir segurança jurídica, regras claras e políticas públicas alinhadas à realidade de quem produz e gera empregos”, afirmou.
Já o deputado Evair de Melo (PP-ES), autor do requerimento da sessão, destacou que o Espírito Santo se consolidou como referência internacional em beneficiamento e exportação de rochas naturais, com um dos parques industriais mais modernos do mundo. “A indústria de rochas fortalece a balança comercial brasileira, gera empregos e produz com responsabilidade. Apoiar o setor é defender o desenvolvimento do Espírito Santo e do Brasil”, disse.
A solenidade contou ainda com a participação de representantes do governo federal, entidades industriais e lideranças do setor mineral. O vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, ressaltou que a cadeia de rochas ornamentais faz parte da identidade econômica do Estado e é resultado de décadas de profissionalização e cooperação entre setor produtivo e poder público.
Durante o evento, instituições consideradas parceiras estratégicas do setor também foram homenageadas, entre elas a ApexBrasil, a Agência Nacional de Mineração (ANM) e a Imetame Logística. O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou o potencial de expansão das exportações brasileiras de rochas naturais, lembrando que o país possui mais de 1.200 tipos de materiais catalogados — o maior portfólio do mundo.
Além do mercado norte-americano, principal destino das exportações, o setor aposta na diversificação geográfica. Um dos projetos mais promissores é a criação do Brazilian Natural Stone Hub no Oriente Médio, a partir de um memorando de entendimento firmado entre a Centrorochas e o Porto de Abu Dhabi. A iniciativa prevê uma base logística e promocional permanente na região, com o objetivo de reduzir prazos, custos e ampliar a presença brasileira frente a concorrentes como Itália, Turquia, Índia e China.
Com uma cadeia produtiva presente em 17 estados e mais de 470 empresas representadas, o setor de rochas naturais deixa claro que o recorde alcançado em 2025 não é ponto de chegada, mas de partida. Em Brasília, a mensagem foi direta: para dobrar as exportações até 2030, o Brasil precisa transformar potencial mineral em estratégia nacional de desenvolvimento.
Crédito da foto: Robson Cesco