A Mocidade Unida da Glória (MUG) emocionou o público no Sambão do Povo ao apresentar um desfile que uniu arte, ciência e consciência ambiental no Carnaval de Vitória 2026. Com o enredo “O Diário Verde de Teresa”, a escola transformou em narrativa carnavalesca a passagem da princesa e cientista Teresa da Baviera pelo Espírito Santo, em 1888, quando catalogou espécies e produziu um dos mais importantes registros da biodiversidade capixaba, reunidos na obra “Viagem ao Espírito Santo – 1888”.
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MUG, quarta escola do Grupo Especial do Carnaval de Vitória 2026, a desfilar no Sambão do Povo, nesta sexta-feira (6). Credito: Kayo Dalvi.
Assinado pelo carnavalesco Petterson Alves, o desfile apresentou um Espírito Santo exuberante, diverso e pulsante, convidando o público à reflexão sobre memória histórica, preservação da natureza e o papel do carnaval como ferramenta de consciência coletiva. Com cerca de 1.300 componentes distribuídos em 20 alas, a MUG mostrou coesão estética, forte impacto visual e riqueza simbólica, com fantasias luxuosas, pedrarias, plumas e alegorias de grande porte, reforçando seu favoritismo ao título.
A Comissão de Frente, com 14 bailarinos representando araras vermelhas, abriu o desfile colocando a natureza como protagonista, em uma encenação sensível que simbolizou comunicação, alerta e conexão entre mundos. O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Hudson Maia e Letícia Malaquias, conduziu o pavilhão com elegância e clareza de enredo, sob o tema “Verde Voa – Festa dos Papagaios”, arrancando aplausos das arquibancadas.
Entre os destaques estiveram a Ala das Baianas, representando os encantos das águas doces; a musa Juliana Kroebel Ribeiro, simbolizando a serpente guardiã da mata; e o imponente abre-alas “A Terra Inexplorada – O Verde que Ainda Sonha”, que apresentou um verdadeiro templo natural com troncos monumentais, palmeiras, espelhos d’água e lupas que convidavam o público à observação da biodiversidade.
A ala “O Botocudo – Raiz Viva da Floresta” emocionou ao apresentar os povos originários como protagonistas do território, reforçando o respeito aos saberes ancestrais. Já a Bateria Pura Ousadia, comandada pelo mestre Lucas Massariol, conduziu o desfile com a “Sinfonia de um Sonho Verde”, traduzindo em ritmo a jornada de Teresa da Baviera, com bossas cheias de contrastes, mistério e envolvimento. À frente da bateria, a rainha Layla Bastos desfilou com energia e total sintonia com a cadência.
As alegorias aprofundaram a narrativa, como o “Relicário Indígena”, que exaltou a cultura e a identidade dos povos originários, e o carro final, que simbolizou o retorno de Teresa à Europa, carregando não apenas registros científicos, mas uma herança de respeito, troca e compromisso com a natureza.
Ao cruzar a linha final, a MUG foi amplamente aplaudida, deixando a mensagem central do enredo ecoar na avenida: qual será o verde do nosso futuro se não cuidarmos da natureza no presente? Com delicadeza, poesia e consciência ambiental, a escola reafirmou o carnaval como espaço de educação sensível e entrou para a memória do público como um dos grandes momentos do Carnaval de Vitória 2026.
Luciene Costa Jornalista Portal Revista Ekletica
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