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Ales abre 2026 com discursos de diálogo, transição e responsabilidade histórica

Sessão solene marca abertura do Ano Legislativo de 2026 na Assembleia Legislativa do ES

Ales abre Ano Legislativo de 2026 com discursos marcados por diálogo, transição política e responsabilidade histórica

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) deu início oficial ao Ano Legislativo de 2026, na tarde desta segunda-feira (2), durante sessão solene realizada no Plenário Dirceu Cardoso, em Vitória. A cerimônia reuniu representantes dos três Poderes, parlamentares, autoridades, lideranças políticas e membros da sociedade civil organizada, em um plenário completamente lotado, evidenciando a importância institucional do momento.

Conduzida pelo presidente da Casa, deputado Marcelo Santos (União), a solenidade foi marcada por discursos densos, com forte conteúdo político e institucional. As falas reforçaram a centralidade do diálogo entre os Poderes, o papel das instituições na estabilidade do Estado e os desafios que se impõem para um ano de transição política.

Em um discurso de tom  reflexivo, Marcelo Santos destacou que a abertura do Ano Legislativo de 2026 representa mais do que um rito constitucional. Para ele, o momento simboliza um marco, em que decisões tomadas agora terão impactos profundos e duradouros para o Espírito Santo.

Não estamos apenas iniciando mais um ano legislativo. Estamos atravessando um marco. Um período em que decisões, gestos e escolhas não ficam restritos ao presente. Elas ecoam por décadas”, afirmou.

O presidente lembrou sua trajetória na Assembleia e recordou o cenário crítico encontrado quando assumiu o primeiro mandato, em 2003. Segundo ele, o Espírito Santo vivia um período de colapso institucional, com crise fiscal, salários atrasados, insegurança pública e perda de credibilidade.

Era um Estado quebrado, endividado, com salários atrasados, credibilidade abalada e a segurança pública em colapso. Um tempo de desorganização, desconfiança e desesperança. Tivemos que nos reinventar e pensar novos caminhos”, relembrou.

Marcelo destacou que o processo de reconstrução não ocorreu por meio de radicalismos políticos ou disputas ideológicas estéreis, mas sim com diálogo, responsabilidade e trabalho contínuo.

Não foi no grito, não foi na disputa ideológica vazia e nem levantando bandeiras partidárias de forma leviana. Foi com trabalho, diálogo e responsabilidade”, frisou.

Ao comparar o passado com o cenário atual, o parlamentar ressaltou que o Espírito Santo vive hoje uma realidade consolidada de equilíbrio fiscal, previsibilidade econômica, ambiente de negócios saudável, segurança jurídica e respeito institucional, fruto de escolhas políticas feitas com maturidade.

Marcelo Santos também dedicou parte de seu discurso à análise do cenário internacional, alertando que instabilidades globais afetam diretamente a economia capixaba. Ele citou o endurecimento das políticas comerciais dos Estados Unidos, o avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia e os conflitos geopolíticos em curso.

A desaceleração da economia alemã, a guerra entre Rússia e Ucrânia entrando no quarto ano, a instabilidade no Oriente Médio e as dificuldades enfrentadas pela China impactam diretamente os países e, consequentemente, os Estados”, pontuou.

Segundo ele, embora muitos vejam esses fatos como distantes, o Espírito Santo sente seus efeitos de forma direta.

Somos um Estado aberto, produtivo e conectado ao mundo. Aqui produzimos, exportamos, movimentamos portos e geramos empregos. Respondemos todos os dias ao que acontece fora das nossas fronteiras”, afirmou.

Para o presidente da Ales, o diferencial capixaba está na capacidade de fortalecer instituições e manter equilíbrio mesmo em momentos de turbulência internacional.

Outro eixo central do discurso foi o papel assumido pela Assembleia Legislativa nos últimos anos. Marcelo Santos afirmou que a Casa deixou de ser coadjuvante no processo político estadual para se tornar protagonista na construção de políticas públicas.

A Assembleia deixou de ser figurante. Entendemos algo essencial: diálogo não é submissão. Independência entre os Poderes não é conflito permanente”, destacou.

Segundo ele, a convivência harmônica entre Executivo e Legislativo tem permitido que o interesse público prevaleça sobre disputas momentâneas.

Quando todos podem falar, o que se ouve é a voz da cidadania”, reforçou.

Marcelo também projetou 2026 como um ano de transição histórica, com eleições que devem abrir espaço para novas lideranças e novos desafios. Ao falar sobre o encerramento de seu ciclo na Casa, ele fez um balanço pessoal e político.

Aqui eu aprendi a ouvir mais e falar menos. Aprendi que firmeza não exclui diálogo, que divergência pode virar construção e que o interesse coletivo precisa estar acima das disputas momentâneas”, afirmou.

Ele destacou ainda conquistas institucionais da Ales, como o reconhecimento da Casa como o Poder mais transparente do Estado, a implantação de programas voltados ao meio rural, à formação política de jovens e à modernização da legislação estadual.

Ao final, agradeceu aos deputados pela confiança em sua recondução à presidência.

Esta é a legislatura mais plural e a que mais entregou resultados nos 190 anos da Assembleia Legislativa. Viva o Espírito Santo, viva a democracia e viva a Assembleia Legislativa”, concluiu.

A presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, desembargadora Janete Vargas Simões, ressaltou que a sessão solene representa um compromisso público das instituições com a democracia e a ética.

“Esta sessão transcende o rito constitucional. Ela reafirma o compromisso republicano com a legalidade, a democracia e a confiança da sociedade em suas instituições”, afirmou.

Primeira mulher a presidir o TJES em 134 anos, Janete destacou a responsabilidade histórica de sua gestão e defendeu que o avanço feminino se consolide em todos os espaços de poder.

“Não é apenas um marco simbólico. É um movimento que precisa se estender a todas as instituições, mostrando que as mulheres podem chegar onde quiserem, com trabalho, responsabilidade e compromisso”, declarou.

A magistrada também destacou a importância da harmonia e da independência entre os Poderes como pilares para o fortalecimento da cidadania e da justiça social.

O governador Renato Casagrande (PSB) reforçou que a capacidade de diálogo entre os Poderes é o principal diferencial do Espírito Santo nos últimos anos. Em seu discurso, ele fez um balanço dos desafios enfrentados ao longo dos mandatos, como a polarização política, a pandemia, eventos climáticos extremos e crises econômicas globais.

“O segredo do Espírito Santo é a capacidade de convivência institucional. Temos autonomia, mas também parceria, sempre com o objetivo de fortalecer as instituições”, afirmou.

Casagrande ressaltou que os avanços alcançados não são obra de um governo isolado, mas resultado do trabalho conjunto entre Executivo, Legislativo, Judiciário e demais instituições.

“Essa transformação é coletiva. É fruto do diálogo, do respeito às diferenças e da capacidade de governar com humildade, ouvindo e construindo junto”, destacou.

O governador também alertou para os riscos da polarização política e da intolerância, defendendo uma governança moderna, baseada na escuta e na cooperação.

“A democracia se fortalece quando sabemos conviver com quem pensa diferente. Governar não é impor, é dialogar”, concluiu.

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