Cultura

Médico e escritor Jorge Elias Neto celebra 25 anos de carreira com antologia poética

Em “Tratado da última pele”, que será lançado no dia 05 de fevereiro, em Vitória, autor reúne o conjunto de poemas publicados em seus 13 livros, com prefácio e revisão do saudoso José Augusto Carvalho

A poesia e a medicina andam juntas na vida de Jorge Elias Neto. Cardiologista renomado e escritor membro da Academia Espírito-santense de Letras, o autor vai celebrar 25 anos de carreira nas letras com o lançamento da antologia poética “Tratado da última pele”, no próximo dia 05 de fevereiro, às 19h, na Associação Médica do Espírito Santo (Ames), em Vitória. Durante o evento, Jorge Elias Neto vai realizar uma roda de conversa sobre o conteúdo do livro, com a participação do escritor Francisco Grijó.

Com 450 páginas e edição da Arribaçã, “Tratado da última pele” reúne o conjunto da obra poética de Jorge Elias Neto, recolhida de 13 livros de sua autoria, com revisão e prefácio do professor, escritor e tradutor José Augusto Carvalho (1940-2025), que acompanhou de perto a carreira literária do autor desde a sua estreia, em 2007, com “Verdes versos”.

Foi o professor José Augusto Carvalho quem incentivou o médico a retomar a escrita de poesias, no ano 2000, ao revisar um trabalho científico no qual Neto colocara um poema como epígrafe. “Ele sempre revisou meus artigos científicos. Certo dia, me chamou em sua casa e disse que eu deveria retomar a escrita abandonada na infância. Já o nome do livro se baseia em um poema que escrevi anteriormente”, revela o autor.

No prefácio da obra, José Augusto Carvalho destaca que os versos de Jorge Elias Neto transitam por diferentes territórios literários, entre aforismos, poemas líricos, poemas reflexivos e introspectivos, ora pessimistas, ora confessionais. O autor invariavelmente acena para o ofício do poeta e para a poesia como a musa inspiradora dos seus versos, a exemplo do poema “Superornitorrinco” (2018): “Poesia,/ transforme em ruído/ o som da espera./Palavra/seja o orvalho/de minha passagem”.

Criação literária
Para o poeta, sua atuação como médico o ajuda na criação literária, e vice-versa, como dois polos que se complementam e são indissociáveis. “É possível trabalhar e sonhar. É possível a convivência do cientista com o poeta. Afinal, a quanto dista o zelo do cientista do abuso apaixonado do poeta com a palavra?”, reflete.

Ao longo das páginas de “Tratado da última pele”, o leitor poderá acompanhar a evolução de Jorge Elias Neto na literatura e as diversas nuances que compõem sua criação poética, partindo do supracitado “Verdes versos” (Flor&Cultura, Vitória, 2007) até chegar a “XXI sombras” (2024). No meio do caminho, surgem trabalhos temáticos, como “Breve dicionário poético do boxe” (Patuá, 2013), inspirado no pugilista Éder Jofre, “artista do palco e do ringue”; e “Cabotagem” (Mondrongo, 2016), em que o autor revisita espaços de Vitória presentes em sua mem&oacut e;ria afetiva, incluindo o Britz Bar, os cines Juparanã, São Luís e Paz, a Capela do Carmo e o assassinato da menina Araceli, que chocou o Espírito Santo na década de 1970.

Repentes e MPB
A literatura entrou na vida de Jorge Elias Neto na infância, impulsionada inicialmente pela tradição oral da avó, que recitava repentes, e pelos discos de MPB de artistas como Chico Buarque de Hollanda, Vinicius de Moraes, Cartola e o Clube da Esquina. Ainda criança, devorava livros de poetas parnasianos e românticos. “Quando retomei a leitura regular de poemas comecei com Augusto dos Anjos, Drummond, Manuel Bandeira e João Cabral. Mas confesso que muito veio de leitura de outros autores não necessariamente poetas: Nietzsche, Camus, Emil Cioran”, elenca o autor.

Jorge Elias Neto se reconhece naquele grupo de poetas que podem tudo em seu “eu lírico” – como se convencionou chamar o “personagem” criado pelos autores para expressar sentimentos, emoções, pensamentos e visões de mundo. “É na prosa que o autobiográfico habitualmente se apresenta. O poema é território do ‘eu lírico’, um rebelde, fingidor, um subversor da sintaxe, como sempre dizia o linguista e amigo José Augusto Carvalho”, finaliza.
Antologia “Tratado da última pele”, de Jorge Elias Neto – Roda de conversa com o autor e o escritor Francisco Grijó
Data: 05 de fevereiro (quinta-feira)
Horário: 19h
Local: Auditório da Associação Médica do Espírito Santo (AMES), Rua Francisco Rubim, 395, Bento Ferreira, Vitória
Editora: Arribaçã
Páginas: 450
Preço no lançamento: R$ 60
Onde adquirir: No lançamento do livro e, depois, no site da editora (https://www.arribacaeditora.com.br/), na Amazon e com o autor, pelo e-mail jeliasneto@gmail.com e pelo WhatsApp (27) 99989-6208

Leia também