Oportunidades globais estão cada vez mais presentes no discurso empresarial. Importação, exportação, novos mercados, parcerias internacionais e, especialmente, a aproximação entre Brasil e grandes economias como a China, fazem parte do imaginário de crescimento de muitas empresas. No entanto, existe um ponto central pouco debatido nesse movimento: não há expansão global sustentável sem maturidade financeira local. Antes de atravessar fronteiras, é preciso organizar a própria casa.
Muitos empresários se sentem atraídos pelas margens aparentes, pelo aumento de escala e pela promessa de novos mercados. A ambição, por si só, não é o problema. O risco surge quando essa expansão acontece sobre uma estrutura financeira frágil, baseada em decisões reativas, fluxo de caixa pouco previsível e ausência de planejamento. O mercado global é mais complexo, mais exigente e menos tolerante ao improviso. O que já era um desafio no ambiente doméstico se amplifica quando somado à variação cambial, prazos mais longos, contratos mais rígidos e riscos jurídicos e logísticos.
Globalização não é apenas uma decisão comercial. É, sobretudo, uma decisão financeira. Envolve proteger margens, antecipar cenários e garantir que o negócio tenha fôlego para absorver erros e oscilações. Empresas financeiramente maduras entendem que o financeiro deixa de ser uma área operacional e passa a ocupar um papel estratégico.
Nesse contexto, o papel do empresário também muda. O modelo de gestão baseado apenas na experiência e na intuição, comum em ambientes locais, perde eficiência quando o negócio se expõe ao mercado internacional. Decidir rápido deixa de ser suficiente, decidir bem se torna indispensável. Empresários preparados não analisam apenas o potencial de ganho, mas avaliam o impacto no caixa, a capacidade de absorção de riscos, a sustentabilidade da operação e as consequências no médio e longo prazo.
Maturidade financeira não está diretamente ligada ao tamanho da empresa ou ao volume de faturamento. Existem empresas médias altamente estruturadas e organizações grandes operando com fragilidades importantes. A diferença está na consciência com que as decisões são tomadas. Empresas maduras conhecem seus números, planejam antes de executar, se protegem contra riscos previsíveis e entendem que crescimento sem organização é apenas exposição.
José Neto Rossini Torres é CEO da Forttu Investimentos e Autor dos livros: “Investe Logo:
Compartilhando experiências com o investidor iniciante” e “O Caminho para o Sucesso na Assessoria de Investimentos: Processo, Relacionamento e Intensidade”.