Economia

Comércio capixaba avança com força e assume protagonismo no Sudeste

O varejo do Espírito Santo encerrou o último trimestre de 2025 em ritmo acelerado e com desempenho superior ao dos principais mercados da região Sudeste. Em um cenário nacional ainda marcado por cautela no consumo, o comércio capixaba registrou crescimento de 2,7% em outubro na comparação com setembro, alcançando o melhor resultado mensal desde abril e consolidando a liderança regional.

O avanço superou com margem confortável a média brasileira, que ficou em 0,5%, e também o desempenho do Sudeste como um todo, de 1,2%. Na comparação com outubro de 2024, as vendas no estado cresceram 2,3%, reforçando a trajetória de recuperação gradual da atividade comercial e sinalizando maior disposição de consumo por parte das famílias.

Os dados são do Connect Fecomércio-ES, com base na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A leitura dos indicadores aponta para um ambiente de maior dinamismo no curto prazo, especialmente com a proximidade das principais datas comerciais do calendário.

Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o resultado reflete um conjunto de fatores que vão além de movimentos pontuais. “Há uma combinação entre melhora gradual da confiança do consumidor, mercado de trabalho mais estável no estado e desempenho consistente de segmentos estratégicos do varejo”, avalia.

No acumulado de janeiro a outubro de 2025, o comércio varejista capixaba cresceu 3,6% frente ao mesmo período de 2024, desempenho que coloca o Espírito Santo na primeira posição do Sudeste. Minas Gerais aparece em seguida, com alta de 1,6%, São Paulo com 0,5%, enquanto o Rio de Janeiro apresentou retração de 2%. No ranking nacional, o estado ocupa a sétima colocação entre as 27 unidades da federação.

Outro dado que chama atenção é o índice de volume de vendas com ajuste sazonal, que atingiu 109 pontos em outubro — o maior patamar já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 2004. O número evidencia a resiliência do comércio local mesmo em um ambiente macroeconômico ainda desafiador.

Entre os segmentos que puxaram o crescimento, o destaque ficou com móveis e eletrodomésticos, que avançaram expressivos 14,4% na comparação anual. Também tiveram desempenho relevante os setores de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com alta de 10,9%, além de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, que cresceram 9,8%. O comércio de tecidos, vestuário e calçados também contribuiu, com aumento de 6,4%.

A perspectiva para o fechamento do ano é positiva. Historicamente, o último bimestre concentra maior volume de vendas, impulsionado por campanhas promocionais e datas comemorativas. “Os indicadores atuais sugerem a manutenção desse ritmo mais favorável no Espírito Santo”, destaca Spalenza.

O bom momento também se estende ao varejo ampliado, que inclui atacado e atacarejo. Em outubro, o crescimento foi de 1,9% no estado. No acumulado de 2025, o avanço chegou a 1,8%, enquanto as médias nacional e regional apresentaram retração. O resultado foi influenciado, sobretudo, pelo bom desempenho do atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo.

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